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CORITIBA: Um amor que só quem vive pode entender!

Desde os primórdios, até pelo contexto histórico em que nasceu, o futebol e a mulher andavam em paralelas extremamente distintas e distantes.
Demorou muito para essa visão mudar, e com a ajuda de Ana Amélia de Mendonça e o seu livro “O Salto”, lançado em 1967, tratado principalmente sobre a torcida feminina, a mulher ganhou mais espaço nessa área.
Hoje em dia é só ligar a TV, abrir o jornal ou ligar a Internet que lá estamos nós, mulheres, debatendo assuntos ligados ao futebol e com um nível extraordinário de entendimento. Agradeço a Deus por ter nascido nessa época, e não na que o nosso Glorioso foi fundado.
Agradeço ao meu pai também, mesmo sabendo que teria uma filha e não um filho como desejou, não desistiu de me tornar uma apaixonada como ele, mesmo sendo mulher, mesmo com todo o preconceito e esteriótipos que “futebol é coisa de homem” me deu essa graça de ser uma Coxa-Branca que sou, pois como sempre digo e repito, ser Coxa Branca é a melhor herança que alguém pode receber.
Ainda hoje, e fico muito triste em dizer isso, ouço que “mulher não entende de futebol”, mas penso comigo mesma que quem pensa assim é quem na verdade não entende de futebol e muito menos vai a um estádio de futebol. A presença da torcida feminina se tornou simplesmente forte e inquestionável, aumentando ainda mais com os setores exclusivos de mulheres nas torcidas organizadas como é o caso do Comando Feminino da Império Alviverde.
É impagável ver mulheres de todas as idades e classes sociais, juntamente com homens e crianças pulando ao som de “Sai do Chão, Sai do Chão, a Torcida do Verdão”, sabendo-se que antigamente, esse não era o nosso espaço. Quando vou ao Couto Pereira, e demoro um pouco pra sair, olho para aquele estádio quase vazio, ou então quando entro nele em dia de jogo, ou ainda, só de passar ali na frente penso comigo “Incrível como me sinto em casa”. Porque é isso que o Couto Pereira é pra mim, é pra nós: é a nossa casa, e a morada do nosso grande e eterno amor.
Lembro ainda de quando tinha os meus 11 anos, enquanto minhas amigas brincavam eu ficava em casa pensando que dentro de 10 anos o meu Verdão faria 100 anos, e eu precisava fazer uma homenagem à ele. Recordo que comecei assim:
“Dia 12 de Outubro de 1909, aqui foi criado,
O Coritiba, o orgulho do estado.
Um grupo de alemães,
fães (sic) de um bom futebol...”
Eu tinha 11 anos, portanto, me perdoem a grafia. Lembro que não continuei pois falei com alguém (não faço idéia de quem) que me disse que eu nunca conseguiria ler isso dentro do gramado no dia do centenário, portanto desisti.
Compartilho isso com vocês, pois quero mostrar que não importa a idade e muito menos o sexo, o amor que sentimos pelo nosso Coritiba é o mesmo, sendo você homem, sendo você mulher, sendo você criança, adulto ou idoso. O sentimento pelo nosso Verdão é único, é verdadeiro, temos de ter orgulho pois com certeza ninguém no mundo sente igual.
Estamos em 2008, não existe mais esse papo que futebol é coisa pra homem. Futebol é coisa pra quem é apaixonado e ponto. Nada mais. Futebol também é coisa de mulher sim! E todos sabemos que existe mulher por aí que entende mais de futebol que muito homem, e isso é fato! E contra fato não há argumentos.
Mulheres, vamos ao estádio! Vamos ver o nosso Verdão! Vamos ao
Couto, lá também é o nosso lugar! E quem vai, sempre volta, porque
não há como não se sentir em casa.
Por: Paula Fernanda Moraes Gouveia
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