Pontos Bobos?
Gilson de Paula

Paraíba
Pedro Henrique

Torcedor Doente x Ocasião
Lincoln Henrique

Eternos Coxas
Odacir Pereira Jr

Orgulho de ser Coxa
Marcela Neves

Torcedor doente x Torcedor de ocasião
soucoxa!

Uma grande dúvida foi levantada em questão entre os torcedores alviverdes, há um bom tempo atrás: por que em jogos contra adversários considerados grandes, como Palmeiras, Flamengo e Grêmio, os jogos recebem muito mais torcedores, enquanto em jogos contra times "pequenos", como Ipatinga e Portuguesa, dificilmente se vêem arquibancadas lotadas? Para entender o assunto, é necessário levantar alguns pontos.
Torcedor de ocasião significa não saber direito qual posição o time está, ir aos jogos de vez em nunca, conhecer somente os nomes dos destaques da equipe, não saber informações sobre o clube (como histórico, questões administrativas, preço dos ingressos, dias e horários de treinos), ou sobre novidades, como contratações de jogadores, declarações dos profissionais que compõem a comissão técnica, eleições da presidência do clube, entre outros. Para maioria deste grupo, sempre haverá alguma coisa mais importante que o Coxa na vida deles, ou nunca valerá a pena tornar-se um sócio, visto que eles "não terão muitos benefícios com isso", esquecendo-se de que o maior beneficiado do vínculo clube/torcedor é o próprio clube, por ser o principal sujeito da história, que precisa da quantia arrecadada com as mensalidades. Por quê esses torcedores existem? Porque o time, no momento, não se encontra bem colocado em sua “escala hierárquica de importâncias”, ou seja, há algo mais importante que o clube, como vida sentimental, familiar, profissional. Mas se o time vai bem, isso é bom para o status do indivíduo, torcer para um time vencedor, e por isso, vai aos jogos. Mas só nos mais importantes.
Torcedor doente é aquele que vive em função do clube. Não perde um jogo sequer, compra 1001 coisas do clube, desde camisetas oficiais até chaveiros com a cor do verdão (mesmo que o indivíduo nem tenha chaves direito para usá-lo), canta sem parar nos jogos, sabe de tudo sobre a história do clube e informações gerais relativas ao time. O esporte é sua religião, o clube é seu "deus", os hinos são suas orações e o pecado é não ir aos jogos ou deixar o clube de lado. Este extravasa todas as suas emoções nos jogos e no time. Dessa forma, este indivíduo não entende como os outros "torcedores" não se fazem presentes no estádio para apoiar o time em todos os momentos. Esse, na maioria dos casos, mereceria um prêmio, nem que fosse um diploma simbólico de verdadeiro torcedor, pois tanta devoção deveria ser recompensada de alguma forma, não por obrigação, mas como relação de amor de ambas as partes, tanto do torcedor, por dedicar-se tanto sem ganhar nada, como também do clube, demonstrando uma atenção a esses indivíduos tão importantes.
Aqui já se encaixa uma dúvida: os torcedores que têm compromissos, que não tem dinheiro, que trabalham, que moram longe do estádio, esses são de ocasião? Se eles são capazes de irem aos estádios contra times grandes, sendo o motivo do empecilho ser algo irrelevante, e permitindo a esse torcedor estar em todos os jogos, a resposta é sim. Se há verdadeiros motivos do torcedor se ausentar desse compromisso com o clube, como trabalho, morte de parente ou doença que não lhe permita ir ao estádio, tudo bem, é compreensível. Agora, muitos torcedores podem, mas não querem estar lá, esta é a verdade. Muitos não se dão ao “luxo” de saírem de seus confortáveis lares para assistirem uma partida de futebol que seja. Se for contra um time pequeno, o sacrifício torna-se maior ainda. Torcedor de ocasião acha demais ter que pagar por mês a mensalidade se não puder ir a um ou dois jogos no mês, ou acha ridículo ter que trocar o conforto de seu lar por mais de duas horas sentado em uma arquibancada de concreto, para ser empurrado um monte e segurar um bom lugar no estádio, e mesmo assim tomar banhos de chopp nos gols.
A questão é que os dois lados apresentam suas razões, mas o torcedor doente tem ganho de causa nessa discussão. Isso porque para se denominar “torcedor”, é necessário suportar adversidades, é necessário tempo, dedicação e sacrifícios. Torcedor verdadeiro é aquele que enfrenta qualquer barreira e diz que ama o time. E com certeza, nesse ponto, o torcedor de ocasião está devendo e muito. Estamos em momentos relativamente muito bons se comparados aos públicos registrados anteriormente, como por exemplo o incrível público de 815 torcedores presentes no dia 28 de novembro de 2004, quando o verdão aplicou 5x1 no Vitória, ou no dia 12 de dezembro de 2004, quando o Coxa ganhou do Goiás por 1x0, isso no ano da presença alviverde mais recente na Libertadores. Além disso, estamos bem na competição e prestes a deslanchar rumo à ponta da tabela. Temos jogadores fora do comum, como Edson Bastos e Carlinhos Paraíba.
Por isso e por muitos outros motivos, o Couto Pereira poderia estar mais cheio nos jogos, pois infelizmente há muitas pessoas que poderiam fazer parte da torcida que nunca abandona e transformar os jogos em festas mais maravilhosas do que já têm sido. E este quadro sempre estará presente, até estes torcedores deixarem a preguiça e a falta de vontade de lado para transformar as arquibancadas em uma arma extremamente eficaz contra o adversário.
O que cabe a nós torcedores fiéis ao Coxa é termos paciência ao tentar convencer os torcedores de ocasião a irem aos jogos, pois com palavras de rebeldia e ódio somente os espantaremos mais ainda. Mas os torcedores de ocasião, que ao meu ver são os únicos displicentes da história, devem entender que o time não sobrevive de títulos, que sobrevive da torcida que apóia em todos os momentos, não somente nos jogos, mas principalmente nos jogos. Estes indivíduos precisam entender que o momento de viver o futebol é agora, e que o Coritiba será muito mais forte do que já é, se o quadro de sócios aumentar e se os torcedores de ocasião sentirem o desejo de amar o clube.
As soluções são difíceis de serem atingidas, mas mesmo apresentando metas diferentes, elas encontram-se com o mesmo objetivo: levar o verdão ao alto de mais glórias, rumo a mais títulos, tão sonhados por nós.

Abraços a todos e saudações alviverdes!

Lincoln Henrique é acadêmico do 4º ano de Edcuação Física da Universidade Federal do Paraná e membro do Centro de Pesquisa da Performance Física da Universidade Federal do Paraná, sob coordenação do fisiologista do Coritiba Foot Ball Club, Dr. Raul Osiecki.

 



Coritiba x Grêmio


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